“Real Benfeitoria de Linho-Cânhamo”

Em 1783, Portugal criou a “Real Benfeitoria de Linho-Cânhamo”, com ordens de plantar cânhamo nas novas terras da Colônia Brasil com objetivo de suprir a crescente demanda internacional pelos derivados dessa planta. A primeira fazenda foi instalada no sul da colônia, onde hoje é o estado do Rio Grande do Sul, mas também financiou fazendas de cânhamo no Pará, Amazonas, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro, locais em que a planta se adaptou melhor. Mas a Cannabis talvez seja a única planta a ser introduzida no Brasil tanto pelos Portugueses colonizadores como pelos negros escravos vindos de angola, que traziam sementes escondidas nas vestes ou de outras formas, porém os negros costumavam fumar, daí o nome “fumo de angola”.

Existem, ainda, relatos de que os escravos a plantavam escondida nos canaviais, ou durante o período da entressafra da cana. Devido ao seu viés socializador, pois costuma ser usada em grupo, alguns pesquisadores acreditam que seu uso pelos negros era uma forma de resistência a desafricanização, ou seja, uma forma de manterem parte de sua cultura e costumes nativos ainda vivos, mesmo convivendo com o fato da escravidão. Há relatos, inclusive, de seu uso nos rituais do candomblé, o que a demostra como importante fator socio-cultural para a comunidade negra no Brasil colônia.

Notícia o veneno africano

Notícia o veneno africano

Em 1798, houve a primeira tentativa na história de se proibir
a Cannabis. Foi na época em que o Egito fora dominado pelos franceses, então, por ordem do general Napoleão Bonaparte estavam proibidos o fumo e o licor feito dessa planta. Na época, Napoleão alegou que os indivíduos que faziam uso ficavam violentos e fora de si, prontos para cometerem atrocidades. Mas na verdade, a intenção napoleônica era boicotar a exportação de fibra de cânhamo para sua inimiga Inglaterra, gerando uma crise industrial pela falta de matéria-prima. Como se pode notar, essa não foi somente a primeira tentativa de se proibir a planta, mas também a primeira tentativa de se mascarar os reais interesses por meio da criminalização dos usuários.
No Brasil, data de 1929 a proibição do “pito do pango” ou
“diamba” (Maconha; palavra de origem quibundo (Angola);
Comum no interior brasileiro e nas sociedades com forte influência agrária.
Porém, desde 1911, após a Conferência do Ópio, os usuários de cannabis já eram criminalizados e perseguidos, principalmente pelas ruas do Rio de Janeiro, pela mesma instituição responsável por reprimir os vadios, as rodas de samba, de capoeira e de candomblé. Durante a década de 1930, a repressão passou a ficar mais acirrada, com incursões do exército pelo Nordeste para destruir plantações e com as prisões dos primeiros “traficantes” de maconha do Brasil.

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